Arquivo de Abril, 2008

19
Abr
08

6 billion others

O design é soberbo, mas o conceito vai ainda mais além. Vale a pena viajarmos por estes rostos e vermo-nos reflectidos nas palavras, emoções e sentimentos destas faces estranhas e, contudo, tão humanas como nós.

Da apresentação do projecto:

“Created at the beginning of 2003, “6 billion others” aims to create
a sensitive and human portrait of the planet’s inhabitants. The
objective of the project is to attempt to reveal each person’s
universality and individuality. To achieve this, six directors set of
across the world to interview the inhabitants of the planet. The
questions chosen for these interviews are the ones which cut across all
humanity, everywhere and always: they concern the family, experiences,
tests, what makes us laugh, cry, what gives life meaning, and the like.”

A aventura começa aqui: http://www.6billionothers.org/index_en.php. Depois é escolher a língua preferida (Inglês, Francês ou Italiano), abrir os olhos, os ouvidos e o coração e desfrutar uma viagem fantástica pela humanidade mais essencial. São horas bem empregues.

17
Abr
08

E a Espanha aqui ao lado

Nem sequer me atrevo em análise muito profundas e detalhadas, porque desconhecendo a fundo a sociedade espanhola há muita coisa importante para perceber estes fenómenos que me pode escapar e tornar a análise (e suas conclusões) risível. Mas lá que causa um sobressalto ver os nossos vizinhos, há 30 anos nem por isso melhores do que nós, produzir isto

nove mulheres entre 17 ministros; e, ainda mais improvável, espantar-nos com isto,

uma Ministra da Defesa, repito, da Defesa, grávida de 7 meses, é quase inevitável perguntarmos que vento de modernidade arrastou Espanha para o futuro e nos deixou aqui na nossa pequenez e no nosso atraso. Pode até nem ser isso, como já admiti, mas que parece …

17
Abr
08

Para quem tenha dúvidas

Para quem tenha dúvidas sobre o que este entendacordo significa para o ME, basta ouver (obrigado José Duarte) a Ministra da Educação no acto de assinatura do dito. Como sempre faz quando fala a propósito seja do que for, lá veio o desfiar da longa lista de realizações do Ministério, sem critério de relevância ou oportunidade, como se tudo fosse a mesma coisa e uma só coisa indivisível. Depois, lá mais para o fim, e ainda como de costume, o repetir de outra mentira tantas vezes esgrimida, alicerce desta estratégia de desinformação e intoxicação da opinião pública levada a cabo pelo ME: agora, diz Maria de Lurdes Rodrigues, os professores trabalham muito mais horas com os alunos na escola. NÃO É VERDADE! Agora, os professores passam mais horas na escola, mas não é a trabalhar com os alunos, porque estes têm aulas, regulares ou de substituição. São horas de estacionamento improdutivas, a realizar trabalho burocrático maioritariamente inútil, ou a tentar fazer alguma coisa em condições muito inferiores às de qualquer escriturário – más cadeiras, tecnologia muitas vezes deficiente (quando não inexistente), salas gélidas ou tórridas, etc., em espaços que não foram pensados nem desenhados para terem pessoas a trabalhar durante várias horas. Se quiserem dizer que os professores agora comunicam muito mais entre si, porque passam mais horas juntos na sala dos professores, nas salas de trabalho ou no bar, a isso não me oponho.

E que dizer deste abanar de cauda da Plataforma Sindical? Eles que estavam totalmente fora desta carroça, porque o ME nem sequer se dignava a conversar com eles, apanharam o comboio dos 100.000 e agora podem fingir, outra vez, que são importantes e lideram os professores, mesmo se para conseguir isso enfraquecem brutalmente as posições dos mesmos professores que dizem defender. Como não ver oportunismo politico nesta decisão, sobretudo se atentarmos no estilo: “a esmagadora maioria dos professores apoia este entendimento”; “mais de 90% dos professores apoiam este entendimento”. BS, da grossa. Estamos outra vez, no campo da estratégia política e da demagogia; os princípios e os valores já nem se vêem no horizonte. Como irão agora os professores enfrentar o que realmente importa – o ECD e este modelo de avaliação? Com que energia, com que consenso, com que força?

Digam o que disserem, há anos que acho o mesmo: sindicatos dos professores sim, para questões salariais, contratuais, etc. Mas para o resto, precisamos é de uma Ordem dos Professores que nos represente condignamente, que institua princípios que regulem a profissão, que decida quanto a questões de entrada na carreira, estatuto, perfil, etc., e que se oriente para as questões da ética e do exercício profissional, longe das politiquices e dos interesses do momento.

16
Abr
08

O que dizer?

O país entra em alvoroço por causa de um acto de indisciplina, trazendo à cena uma série de personalidades, incluindo nem mais nem menos que o Procurador Geral da República, clamando a miséria da escola e da civilidade dos alunos. Mas assobia para o ar quando o Presidente de um governo regional chama à oposição na Assembleia Legislativa “um bando de loucos”, dizendo, em tom chocarreiro (como é hábito), que seria uma vergonha para a Madeira e uma desgraça para o turismo realizar-se a dita sessão solene com o Presidente da República em visita ao arquipélago. O próprio Presidente, em vez de tomar uma atitude, lá cumpre mansamente a visita e fala do tempo. Fantástico.

Inquirido por Judite Sousa sobre esta coisa estranha de um Presidente de um governo regional insultar a Assembleia Legislativa, órgão perante o qual responde o seu governo (e ele próprio) em termos institucionais, essa grande personalidade dos bastidores do PS, António Vitorino, responde com candura que, enfim, hoje em dia os governos têm uma acção executiva e de liderança, pelo que essa relação institucional é apenas uma ficção; convém é, segundo ele, manter as aparências.

Após o anúncio de um entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical, o primeiro ministro diz, em directo e sorridente, que é um grande avanço, pois ao fim de 30 anos vamos ter o que nunca tivemos: avaliação de professores. O ME afina pela mesma nota, insistindo nesta grande inovação que é a avaliação de professores. Isto é mentira, da grossa, e eles sabem que é mentira, e no entanto não se cansam de repeti-lo. Em 1998, quando saiu o decreto que, na última década, regulamentou a avaliação dos docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, José Sócrates era ministro no governo de António Guterres. Pode dizer-se que a avaliação era ineficiente, que havia problemas de aplicação real, que era necessária mais supervisão/inspecção externa dos processos, que era preciso restringir o acesso ao topo da carreira a apenas uma percentagem dos professores, etc., agora dizer-se que não existia? E dizer-se que o que querem impor é o que se faz por essa Europa fora, apesar das várias reportagens que dão conta de como os sistemas europeus de avaliação de professores têm muito pouco a ver com o disparate que este ME quer instituir? Ao que dizem, ele é bem mais parecido com o que se faz por terras chilenas…

Claro que, falhos de ética e descontraidamente desinformados, como de costume, os muitos comentadores de ocasião que povoam os nossos media vão repetindo estas e outras grosseiras mentiras como se fossem a mais pura realidade, Assim o fez pouco depois na realidade em directo outra grande figura da nossa praça, o muito bemzoca Pedro Ferraz da Costa, mais do que capacitado para opinar sobre educação porque lhe fazem perguntas sobre isso. Também ele acha que haver finalmente avaliação de professores é óptimo porque a nossa educação é uma miséria. Como é que ele sabe? Ora, não é o que diz muita gente, incluindo o governo?

Com estes exemplos de ética, princípios e honestidade intelectual, bem se vê como não podemos deixar de ser extremamente exigentes com as nossas crianças e adolescentes, para que quando cresçam sejam assim também cidadãos exemplares. Ou saibam manter as aparências.

P.S. Para as memórias curtas ou distorcidas de ideologia, fica o decreto regulamentar 11/98. Atente-se, sobretudo, no anexo 1 – páginas 7 e 8 – que define os critérios a respeitar pela avaliação dos docentes.

Ler no SCRIBD.




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