Posts Tagged ‘humor

01
Out
09

Números ordinais, penteados, civismo e estereótipos

É frequente falar-se de como alguns princípios teóricos correctos e muito recomendáveis em educação podem ser mal aplicados, resultando daí que, em vez de promoverem os benefícios que se espera na aprendizagem, acabem por produzir exactamente o efeito contrário, ou seja, dificultam em vez de facilitarem.

Ontem tive um exemplo prático (e cómico) deste problema. Não costumo ajudar o meu filho, agora no 4º ano, a fazer os trabalhos de casa, porque ele não tem precisado, mas desta vez ouvi um “Ó Pai, anda cá que eu preciso da tua ajuda” que revelava perplexidade. Lá fui. O trabalho era responder a umas perguntas sobre números ordinais, nada de muito complexo. Na página da esquerda os ditos, na da direita a situação-problema a partir da qual deviam ser feitos os exercícios. Em teoria, tudo estava feito segundo princípios didácticos correctos, e com os quais concordo – contextualizar a tarefa num universo próximo do aluno, procurar situá-la num contexto verosímil, dar um sentido prático ao problema apresentado, etc., de modo a evitar a aprendizagem mecânica e a promover uma aprendizagem significativa. Na prática, contudo, as coisas resultavam diferentes.

A situação problema era a seguinte: uma escola vai levar os seus alunos a uma visita de estudo. 24 estão já dentro do veículo que vai transportá-los, e cá fora há uma fila à espera de entrar. Olhando para a imagem, vê-se um avião na pista e uma fila de alunos e alguns professores junto ao mesmo. Lá se foi a verosimilhança, de mais do que uma maneira. Depois, as perguntas: “em que lugar está a menina de verde?” “Em que lugar está o 1º adulto”, etc. Até aqui tudo bem.

Depois vinham as difíceis: “em que lugar está a última menina de tranças?” Mmm…, só consigo ver uma, filho. Ó pai, é esta. Não, filho, essa tem um rabo de cavalo, não é uma trança. Então é esta aqui. Não filho, essa tem puxinhos. Puxinhos, pai, o que é isso? Lá expliquei. Mas ó pai, se dizem “a última menina que tem tranças” é porque há mais do que uma. Tens razão, é bem pensado. Mas só uma é que tem tranças. O que é que fazemos? Olha, vou pôr a dos puchinhos, que é o mais parecido, e logo se vê. Ok.

Próxima pergunta: “em que lugar está o menino na cadeira de rodas?” Ó pai, isto não está bem. Porquê, filho? Qual é o problema? Então, se o menino está numa cadeira de rodas deviam tê-lo deixado entrar primeiro, não era porem-no ali na fila à espera. Não achas? Acho filho, também me parece que teria sido o mais correcto.

E ainda: “o aluno em trigésimo quinto lugar é um menino ou uma menina?” Ó pai, o que é que achas? Eu sei que é este, mas não consigo perceber se é menino ou menina. Mmm… deixa ver. Tem calças, será um menino? Isso não quer dizer nada pai, há aqui uns que se vê bem que são meninas e têm calças. Pois… o que te parece? Bem, pai, tem o cabelo um bocado comprido e a cara redonda, pode ser uma menina, mas por outro lado tem assim um corpo que parece mais um rapaz. O que é que eu ponho? Olha, põe rapaz e depois perguntas à professora o que é que ela acha.

Bem, em vez dos números ordinais propriamente ditos, coisa que não suscitava quaisquer dificuldades, passámos o tempo a falar de maneiras de apanhar o cabelo, da consideração especial que se deve ter para com as pessoas com deficiência ou em situação de fragilidade física, e dos esterótipos associados a rapazes e raparigas. Não devia ser preciso tanta substância sociocultural para um simples exercício com números ordinais. Ainda por cima, quando por via disso várias perguntas não tinham um resposta claramente correcta.

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13
Jul
09

Isto deve ser a minha gata a querer dizer-me alguma coisa. Ou será a Mimi 2.0?

Isto deve ser a minha gata a querer dizer-me alguma coisa. Ou será a Mimi 2.0?

15
Dez
08

Os Cavalheiros do Apocalipse

Já tinha visto algumas coisas destes cavalheiros, mas nunca calhou pô-los aqui. E vale bem a pena, que já me ri à gargalhada..

A Avaliação do Super Professor

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Ensino Show (Fim tortura aulas)

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25
Out
08

Why! Why! Why!

Deixei de fumar em Junho de 2007. De então para cá, desenvolvi uma espécie de intolerância ao tabaco que faz com que, quando o stress transborda e é preciso recorrer ao outsourcing para o controlar, fique agoniado e com dores de cabeça assim que dou duas passas num cigarro. A decepção irritada leva-me a deitar fora o maço recém-comprado, junto com o também novel isqueiro. Já vão três pares nesta lista de desaparecidos em combate contra as durezas do quotidiano. Beber um copo podia muito bem servir como substituto, mas sendo eu proprietário de uma vesícula ociosa (preguiçosa, segundo o médico), é mais um pequeno vício que me está vedado. Que raio se pode então fazer quando um cigarrito ou um copo é que iam bem para serenar o ânimo mas estão fora de jogo?

Ia eu nestas cogitações um dia destes, a pé pela cidade, quando me lembrei de uma brincadeira da Rádio Comercial, chamada “guilty pleasure”, em que alguém (geralmente figuras públicas, ou mais ou menos) confessa uma predilecção musical, digamos, questionável. Como, por exemplo, a Manuela Azevedo, dos Clã. gostar do macaco Zacarias. Porque é que me lembrei disto? Bem, é que eu ia com os auscultadores a ouvir música e, como o meu iPod parece mais um albergue espanhol, de vez em quando dou comigo a ouvir “Dancing Qeen”, dos ABBA, ou “I’m a Melancholy Man”, dos Moody Blues, enquanto caminho tentando parecer cool, como costumamos caminhar na rua para os outros nos acharem cool. Ora, se desta vez o repórter da Time Out me interpelasse – “O que é que estás a ouvir?”, ou, se tivesse ouvido aquela estúpida publicidade do BES, talvez “O que é que o senhor está a ouvir?”, a resposta seria, nem mais nem menos do que  o kitchíssimo Tom Jones a cantar “Delilah”. Afinal sempre encontrei o meu vício para os apertos da alma, o meu guilty pleasure apaziguador. Há muitas versões do Tom Jones a cantar isto, sendo que com o tempo a interpretação se foi tornando cada vez mais (auto)irónica, um piscar de olho a um público cúmplice. Mas nesta que aqui deixo era a sério, dramático, sentido, sofrido, como deve ser para ter mesmo piada. Então aquela parte à la mariachi (la la la la la la la la la!!!) parte-me todo. E a cena da naifa, claro.

29
Maio
08

Como num sonho

Parece haver uma natural propensão de quem tem filhos para os educar nos valores e práticas que achamos ser os melhores, e uma tendência marcada dos filhos para escolherem e se dedicarem a coisas que são exactamente o contrário disso. No género de nós metermos umas buchas pedagógicas e com muito valor educativo na conversa – “sim filho, jogar à bola é muito bom, mas também há outras coisas boas na vida, como nadar no mar, ler, dar um abraço, etc.” (já viram  o “ler” ali no meio, entalado entre duas coisas tão boas?) – ou pormos Mozart a tocar, e dizermos com a maior das naturalidades – “Já viste como é bonita esta música?”, com a subtileza que caracteriza estas investidas educativas – e no fim de anos de esforço a fazer estas coisas deparamo-nos com um fanático de death metal semi-analfabeto.

Foi por estas e por outras que tive esta ideia extrordinária (que certamente milhares de outras pessoas já tiveram, mas a maior parte das minhas ideias são assim): e se eu incentivasse o meu oitanário a fazer o contrário do que quero que faça; e transformasse em fruto proibido aquilo a que gostaria que ele dedicasse uma boa parte do seu tempo?

Quando ele se portasse mal, dizia-lhe, por exemplo: “Ai sim, ai andas a jogar à bola dentro de casa e a dar cabo das paredes todas, então vai já para o computador e só sais de lá daqui a uma hora”; ou “Bem, visto que não paras com esses guinchos, e que já te pedi MILHÕES de vezes para não guinchares, vai imediatamente para o sofá da sala ver televisão durante duas horas”. Os exemplos não são dramáticos porque o rapaz nunca faz nada de muito grave, só tem mesmo é excessos de alegria e energia …

Bom, continuando … Por outro lado, quando ele olhasse para as estantes atulhadas de livros, dizia-lhe: “Nem penses. Isto é só para pessoas que já estudaram muito e sabem muito e são muito espertas, não é para putos xarilas como tu”. E o mesmo para outras coisas, como aprender a tocar um instrumento, ou ir ao teatro, ver uma exposição, etc.

Se tudo corresse bem, ele viria a dedicar muito pouco tempo à televisão e ao computador e bastante mais tempo à leitura, à música, e a outras actividades geralmente consideradas benéficas para o intelecto e a sensibilidade. Mas confesso que não tive a temeridade de me meter por esses caminhos. E se … afinal, também vemos miúdos que parecem fotocópias dos pais, e é por fazerem exactamente o que lhes mandam ou o que os vêem fazer. Decidi, portanto, ser como toda a gente: tentar transmitir-lhe algumas coisas que acho que são boas e esperar que não corra muito mal.

A parte do sonho: decobri que o meu filho tem um diário onde escreve regularmente. A última entrada dizia: “Ando há uns tempos a tentar, muito discretamente, insinuar na mente do meu pai a ideia de que o melhor para me educar é mandar-me fazer o que não quer que eu faça, e não me deixar fazer o que gostaria que eu fizesse. Tipo, eu portava-me mal e ele mandava-me jogar no computador ou ver televisão como castigo; ou dizer-me que ler nem pensar que não era para um puto como eu. Isto era fixe, porque assim eu podia passar montes de tempo a jogar no computador e a ver televisão e só tinha que fingir que queria ler, não tinha mesmo que. Tudo parecia bem encaminhado até há uns dias, mas de repente a coisa esfriou. O que é que terá corrido mal?”

28
Nov
07

The Mom Song

Achei isto espectacular. Grande ideia!




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