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20
Jun
09

Estas pessoas que se prestam a tudo

Quando Alexandre Ventura aceitou presidir ao CCAP depois do que se tinha aí passado antes dele, percebeu-se logo que pouco haveria a esperar de mais um destes exemplares pouco raros que por aí existem que se prestam a tudo em troco do que lá eles saberão.

Esta verdadeira pérola que encontrei n’A Educação do meu Umbigo, do Paulo Guinote, mostra à saciedade o entendimento que a personagem tem do que é a liberdade de informação, o valor do acesso a essa informação, o papel dos cidadãos numa sociedade democrática e o das instituições, CCAP incluída, no espaço público de diálogo. Vejam só:


Ao Alexandre Ventura, cabe dizer o óbvio: muita informação, de fontes diferentes, com perspectivas e convicções diferentes, é uma coisa boa. É assim que deve ser.

Em vez de currículos embelezados e cheios de referências e cargos e responsabilidades e tal, as pessoas como o Alexandre Ventura deviam apresentar uma versão mais simples de si próprios, e que nos diz bem mais daquilo que são e daquilo que pensam: estas pérolas que vão produzindo nos sítios que, por razões que eles lá sabem, se prestam a fazer as coisas que eles lá sabem.

21
Jan
09

Agarrem-me senão… abstenho-me

Obviamente risível mas, também, instrutivo. Muito:

“Sou contratada, mas temos que ser fortes, temos que nos unir. Não podemos olhar só para o nosso umbigo, temos que pensar na força que temos juntos. É como diz o Obama – Yes we can”. Algumas palmas, porventura um pouco emocionadas.

A meio da votação da moção, a colega volta de atender um telefonema. “Desculpem mas tive que sair para atender um telefonema. Queria que me esclarecessem sobre a questão dos contratados”. Claro que agora não dá, estamos a meio de votar a moção. “Mas eu estou em luta e quero ser esclarecida”. Pois, mas isso era antes, agora já não pode ser. O que votas? “Abstenho-me”. E sottovoce, para o lado: “É que eu tenho família”.

29
Nov
08

Mais uma pérola de MLR

Mais uma entrevista de charme, desta vez no Público, a tentar humanizar esta socióloga do trabalho que tanto tem errado no que toca aos professores. Falando do seu exercício enquanto ministra, faz um balanço positivo e acaba de forma verdadeiramente surpreendente.

Garante, contudo, que também tem tido bons momentos. “Muitos.” Pede-se-lhe que partilhe um. “Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: ‘Quando for grande, vou inscrever-me no PS.’ É tocante.”

“É tocante.” É chocante. Mas diz bem da pretensa dimensão humana com que querem, por vezes, maquilhar a personagem. Como é que alguém que diz isto pode continuar como ministra da educação de um país democrático?

17
Abr
08

Para quem tenha dúvidas

Para quem tenha dúvidas sobre o que este entendacordo significa para o ME, basta ouver (obrigado José Duarte) a Ministra da Educação no acto de assinatura do dito. Como sempre faz quando fala a propósito seja do que for, lá veio o desfiar da longa lista de realizações do Ministério, sem critério de relevância ou oportunidade, como se tudo fosse a mesma coisa e uma só coisa indivisível. Depois, lá mais para o fim, e ainda como de costume, o repetir de outra mentira tantas vezes esgrimida, alicerce desta estratégia de desinformação e intoxicação da opinião pública levada a cabo pelo ME: agora, diz Maria de Lurdes Rodrigues, os professores trabalham muito mais horas com os alunos na escola. NÃO É VERDADE! Agora, os professores passam mais horas na escola, mas não é a trabalhar com os alunos, porque estes têm aulas, regulares ou de substituição. São horas de estacionamento improdutivas, a realizar trabalho burocrático maioritariamente inútil, ou a tentar fazer alguma coisa em condições muito inferiores às de qualquer escriturário – más cadeiras, tecnologia muitas vezes deficiente (quando não inexistente), salas gélidas ou tórridas, etc., em espaços que não foram pensados nem desenhados para terem pessoas a trabalhar durante várias horas. Se quiserem dizer que os professores agora comunicam muito mais entre si, porque passam mais horas juntos na sala dos professores, nas salas de trabalho ou no bar, a isso não me oponho.

E que dizer deste abanar de cauda da Plataforma Sindical? Eles que estavam totalmente fora desta carroça, porque o ME nem sequer se dignava a conversar com eles, apanharam o comboio dos 100.000 e agora podem fingir, outra vez, que são importantes e lideram os professores, mesmo se para conseguir isso enfraquecem brutalmente as posições dos mesmos professores que dizem defender. Como não ver oportunismo politico nesta decisão, sobretudo se atentarmos no estilo: “a esmagadora maioria dos professores apoia este entendimento”; “mais de 90% dos professores apoiam este entendimento”. BS, da grossa. Estamos outra vez, no campo da estratégia política e da demagogia; os princípios e os valores já nem se vêem no horizonte. Como irão agora os professores enfrentar o que realmente importa – o ECD e este modelo de avaliação? Com que energia, com que consenso, com que força?

Digam o que disserem, há anos que acho o mesmo: sindicatos dos professores sim, para questões salariais, contratuais, etc. Mas para o resto, precisamos é de uma Ordem dos Professores que nos represente condignamente, que institua princípios que regulem a profissão, que decida quanto a questões de entrada na carreira, estatuto, perfil, etc., e que se oriente para as questões da ética e do exercício profissional, longe das politiquices e dos interesses do momento.




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