17
Abr
08

Para quem tenha dúvidas

Para quem tenha dúvidas sobre o que este entendacordo significa para o ME, basta ouver (obrigado José Duarte) a Ministra da Educação no acto de assinatura do dito. Como sempre faz quando fala a propósito seja do que for, lá veio o desfiar da longa lista de realizações do Ministério, sem critério de relevância ou oportunidade, como se tudo fosse a mesma coisa e uma só coisa indivisível. Depois, lá mais para o fim, e ainda como de costume, o repetir de outra mentira tantas vezes esgrimida, alicerce desta estratégia de desinformação e intoxicação da opinião pública levada a cabo pelo ME: agora, diz Maria de Lurdes Rodrigues, os professores trabalham muito mais horas com os alunos na escola. NÃO É VERDADE! Agora, os professores passam mais horas na escola, mas não é a trabalhar com os alunos, porque estes têm aulas, regulares ou de substituição. São horas de estacionamento improdutivas, a realizar trabalho burocrático maioritariamente inútil, ou a tentar fazer alguma coisa em condições muito inferiores às de qualquer escriturário – más cadeiras, tecnologia muitas vezes deficiente (quando não inexistente), salas gélidas ou tórridas, etc., em espaços que não foram pensados nem desenhados para terem pessoas a trabalhar durante várias horas. Se quiserem dizer que os professores agora comunicam muito mais entre si, porque passam mais horas juntos na sala dos professores, nas salas de trabalho ou no bar, a isso não me oponho.

E que dizer deste abanar de cauda da Plataforma Sindical? Eles que estavam totalmente fora desta carroça, porque o ME nem sequer se dignava a conversar com eles, apanharam o comboio dos 100.000 e agora podem fingir, outra vez, que são importantes e lideram os professores, mesmo se para conseguir isso enfraquecem brutalmente as posições dos mesmos professores que dizem defender. Como não ver oportunismo politico nesta decisão, sobretudo se atentarmos no estilo: “a esmagadora maioria dos professores apoia este entendimento”; “mais de 90% dos professores apoiam este entendimento”. BS, da grossa. Estamos outra vez, no campo da estratégia política e da demagogia; os princípios e os valores já nem se vêem no horizonte. Como irão agora os professores enfrentar o que realmente importa – o ECD e este modelo de avaliação? Com que energia, com que consenso, com que força?

Digam o que disserem, há anos que acho o mesmo: sindicatos dos professores sim, para questões salariais, contratuais, etc. Mas para o resto, precisamos é de uma Ordem dos Professores que nos represente condignamente, que institua princípios que regulem a profissão, que decida quanto a questões de entrada na carreira, estatuto, perfil, etc., e que se oriente para as questões da ética e do exercício profissional, longe das politiquices e dos interesses do momento.

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