Arquivo de Junho, 2009

20
Jun
09

Estas pessoas que se prestam a tudo

Quando Alexandre Ventura aceitou presidir ao CCAP depois do que se tinha aí passado antes dele, percebeu-se logo que pouco haveria a esperar de mais um destes exemplares pouco raros que por aí existem que se prestam a tudo em troco do que lá eles saberão.

Esta verdadeira pérola que encontrei n’A Educação do meu Umbigo, do Paulo Guinote, mostra à saciedade o entendimento que a personagem tem do que é a liberdade de informação, o valor do acesso a essa informação, o papel dos cidadãos numa sociedade democrática e o das instituições, CCAP incluída, no espaço público de diálogo. Vejam só:


Ao Alexandre Ventura, cabe dizer o óbvio: muita informação, de fontes diferentes, com perspectivas e convicções diferentes, é uma coisa boa. É assim que deve ser.

Em vez de currículos embelezados e cheios de referências e cargos e responsabilidades e tal, as pessoas como o Alexandre Ventura deviam apresentar uma versão mais simples de si próprios, e que nos diz bem mais daquilo que são e daquilo que pensam: estas pérolas que vão produzindo nos sítios que, por razões que eles lá sabem, se prestam a fazer as coisas que eles lá sabem.

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19
Jun
09

Mestrei

Defendi ontem a dissertação de mestrado. O título é “Da Web 2.0 ao e-Learning 2.0: Aprender na Rede”, coisa de carácter mais teórico e de eperimentação, sem parte prática, ao contrário do que é habitual neste tipo de trabalho. A arguência, da Profª Maria João Gomes, da Universidade do Minho, foi o melhor que se pode esperar: muito competente e muito simpática.

Para quem se interesse por estas temáticas, pode consultar a versão online, hipermédia, em http://orfeu.org/weblearning20/.

Correu muito bem e a companhia foi excelente, o que é sempre uma alegria redobrada.

12
Jun
09

Portugueses

Encontrei, via o blog De Rerum Natura (vale a pena seguir), um artigo do escritor brasileiro Cristóvão Tezza intitulado “Traduzindo português“. Começando pelo fim, para aguçar o apetite para uma leitura que me parece valer a pena, apresento a sua proposta, por ele qualificada de “herética”:

que nossa prosa contemporânea seja traduzida em edições no outro país. Não apenas no vocabulário acidental, mas na estrutura sintática mesmo, como se nós escrevêssemos em croata, e eles, em turco. Se meu livro, escrito em brasileiro, pode ser traduzido para o catalão, porque não para o português?

Basta olhar para os exemplos que ele dá de construções frásicas que lhe causam estranheza, retirados da tradução do último livro de David Lodge, A Vida em Surdina (Deaf Sentence, no original), para percebermos o quanto uma língua aparentemente comum nos separa de modo tão evidente: lêem-se e relêem-se as frases e não se consegue lá encontrar nada de estranho, tudo soa natural. E no entanto … A verdade é que tenho que concordar parcialmente com ele. Mesmo nas boas traduções em Português do Brasil a língua é sempre um factor de distanciamento, há uma espécie de consciência permanente da tradução, uma segunda camada que recobre o texto original e impede, de certo modo, que mergulhemos na sua substância. Muito bom para leituras de trabalho e análise, este distanciamento, mas claramente um factor negativo para a fruição dos textos.

Neste particular, contudo, sou um pouco mais específico do que Tezza: não me faz confusão nenhuma ler os brasileiros no original. As diferenças e especificidades fazem parte da própria expressão artística, acrescentam contexto e tornam mais poderosa a ilusão de verosimilhança e autenticidade. Assim, o meu desconforto vai mesmo é para as traduções, que só consigo ler sem engulhos em Português de Portugal. Já que estamos numa de heresias, jamais fui capaz de ler o Ulisses, de James Joyce, traduzido pelo Houaiss, por maior que fosse a genialidade da reescrita anunciada por muitos, e na qual acredito: era uma língua parecida com a minha, mas não era a minha língua (já descontando o facto de a obra ser, em sim mesma, razoavelmente estranha, também muito experimental em termos linguísticos).

Nestas coisas, o Inglês vem sempre à baila, sendo uma língua historicamente com tantas variantes, nas últimas décadas transformada em língua global, em que nunca houve grandes necessidades de acordos ortográficos nem grandes discussões em torno de uniformizações. Como é algo que me causa muita curiosidade, perguntei no Twitter como é que os falantes de língua inglesa se sentem com as traduções numa variante de Inglês que não é a sua, mas acho que precisava de ter uma rede maior para conseguir ter algumas respostas significativas.




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